Malha Soldada para Tubo de Concreto e a Resistência da Drenagem

Malha soldada cilíndrica que arma a parede de um tubo de concreto para drenagem

O tubo de concreto que passa embaixo da rua é uma peça que raramente entra na conversa da obra, mas que segura uma responsabilidade enorme. Ele precisa manter a seção aberta e escoar a água mesmo com o peso do aterro, do pavimento e dos veículos que passam por cima o tempo todo. Um tubo que trinca ou desaba sob essa carga vira uma obra de recuperação cara e que interrompe a via.

O que dá ao tubo essa capacidade de resistir ao esmagamento é a armadura interna, feita de malha soldada. Entender como essa malha trabalha e o que significam as classes de resistência ajuda a especificar o tubo certo para cada situação de drenagem.

Por que o tubo precisa de armadura

Um tubo enterrado não sofre só compressão. O peso do solo por cima e a reação do apoio embaixo tentam achatar a seção circular, transformando o círculo em uma forma ovalada. Esse achatamento gera tração nas paredes do tubo, e o concreto sozinho resiste muito pouco à tração, exatamente como acontece nas vigas e lajes.

A malha soldada é o que assume essa tração. Distribuída ao longo da parede do tubo em formato cilíndrico, ela costura o concreto e impede que a peça se abra sob o carregamento. É por isso que o tubo armado suporta profundidades de aterro e cargas de tráfego que o tubo simples, sem armadura, não aguentaria.

O que dizem as classes de resistência

A ABNT NBR 8890 é a norma que rege os tubos de concreto de seção circular para águas pluviais e esgotamento sanitário. Ela organiza os tubos em classes de resistência, separando os de águas pluviais dos de esgoto sanitário, e cada classe corresponde a uma capacidade de carga que o tubo precisa comprovar em ensaio.

Família de classe Aplicação Lógica da numeração
Classes PA Águas pluviais e drenagem Número maior indica maior resistência à carga
Classes PS Esgotamento sanitário Voltadas ao transporte de esgoto
Tubo simples Situações de baixa solicitação Sem armadura, para cargas menores

A escolha da classe depende de quanto aterro vai cobrir o tubo e de qual carga de tráfego passa por cima. Uma travessia sob rodovia pede uma classe mais alta que uma drenagem de quintal. Especificar uma classe abaixo do necessário coloca o tubo em risco de ruptura, e especificar muito acima encarece a obra sem ganho real.

Como o desempenho é comprovado

A resistência do tubo não é uma promessa de catálogo, ela é verificada em laboratório. O ensaio de compressão diametral aplica carga sobre o tubo até definir a carga que provoca a primeira fissura e a carga de ruptura. É esse ensaio que classifica o tubo dentro das categorias da ABNT NBR 8890 e comprova que a armadura de malha soldada cumpre a função para a qual foi projetada.

"A classe do tubo não é escolhida pela aparência da peça. Ela é o resultado de um ensaio de carga que mede quanto o tubo aguenta antes de fissurar e antes de romper."

Por que o transpasse da malha é calculado

A malha que arma o tubo é fornecida em painéis do tipo macho e fêmea, que se encaixam para fechar o cilindro de armadura. No ponto em que uma malha encontra a outra, existe uma emenda por transpasse, que é a sobreposição das duas telas. Esse transpasse não é aleatório, ele tem um comprimento mínimo que depende do diâmetro do fio.

A razão é simples. A emenda precisa transferir o esforço de uma malha para a outra através do concreto, e essa transferência exige um comprimento de sobreposição suficiente para desenvolver a aderência. Fios mais grossos precisam de transpasse maior. Por isso as tabelas técnicas de malha para tubo trazem o valor de emenda associado a cada diâmetro de fio, garantindo que o cilindro de armadura funcione como uma peça contínua e não como duas telas soltas.

Resumo para levar ao canteiro

O tubo de concreto enterrado sofre achatamento pela carga do solo e do tráfego, o que gera tração nas paredes, e a malha soldada é a armadura que resiste a essa tração. A ABNT NBR 8890 classifica os tubos por resistência, separando águas pluviais de esgoto, e a classe correta depende do aterro e da carga que passa por cima. O desempenho é comprovado por ensaio de compressão diametral, não por aparência. E o transpasse entre as malhas macho e fêmea segue um comprimento calculado por diâmetro de fio, para que o cilindro de armadura trabalhe de forma contínua. Especificar a classe certa é o que garante uma drenagem que dura sob a via.

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